terça-feira, 31 de agosto de 2010

Amor, verdade e intensidade









Por Vinícius Casagrande Fornasier 

Após toda a minha busca pelo amor interior e a compreensão do Eu, posso finalmente falar de forma concreta, sem teorias. Esse é um dos primeiros textos que escreverei sobre relacionamentos amor-liberdade, uma forma desconhecida para a maioria das pessoas. Falar de relacionamento e associar amor e liberdade assusta as pessoas. Valores importantes como confiança, respeito, verdade, diálogo, desapego devem andar em comunhão se quisermos ser felizes e acima de tudo, sermos nós mesmos na presença de outras pessoas. 

Um dos primeiros passos da experiência do amor-liberdade é amar a si mesmo. A maioria pode dizer: “mas eu me amo”. Falo de algo um pouco além. Falo da experiência de se conhecer profundamente, amar-se profundamente. Pode parecer uma atitude egoísta e um pouco narcisista, mas não é. A pessoa egoísta na verdade é vazia – ela não tem e quer o que é do outro para si mesma, ela tem e não quer dividir ou compartilhar. Uma pessoa egoísta não pode amar, porque amor é algo interior que é dividido, compartilhado, extravasado. O narcisista é tão apaixonado por si mesmo e valoriza tanto o corpo, que é puramente físico e que mais cedo ou mais tarde vai envelhecer e então surgirá o desespero – a percepção do vazio. Na verdade existia apenas a idéia mental do amor a si mesmo. O amor interior existe na presença máxima do Eu. Significa vivenciar uma jornada de autoconhecimento sem fim, identificando todo e qualquer defeito, admitindo ser você mesmo, e também, valorizando todas suas qualidades. A jornada de autoconhecimento só pode ser feita sozinho. É transformar a solidão em solitude. A diferença é que na solidão você se sente agoniado, sozinho, vazio, desesperado – e as pessoas, mesmo as que vivem ao lado de outras são muito solitárias, são totalmente dependentes de outras pessoas por um único motivo: o medo de si mesmo. Medo porque quando estamos sozinhos a mente começa a expor tudo o que somos e então começamos a perceber o quanto somos vazios e dependentes de outras pessoas – simplesmente é o desconhecimento de si mesmo. Porém quando enxergamos uma luz no final do túnel, quando acreditamos que somos algo maior, algo integrado à Unidade, então uma nova qualidade surge: a solitude. 

Solitude significa literalmente “ser uma luz para si mesmo”. Saliento porque é um termo que surgiu do mestre Osho o qual me inspiro há alguns anos. Ser uma luz para si mesmo é o primeiro passo para conhecer o amor. Significa aceitar a si mesmo, aceitar que existe vazio, que existe o desespero, que existe solidão. A aceitação é fundamental para seguirmos no caminho do autoconhecimento. Além disso, não podemos esquecer que não estamos sozinhos e muito menos “a toa” aqui na Terra. Somos ligados a algo maior, fazemos parte do Universo ou também, somos filhos de Deus. Estamos aqui encarnados por um propósito, escolhido por nós mesmos. Temos uma missão definida, mas poucos sabem – não sabem por não se conhecer. A pessoa que realmente se conhece, sabe qual a missão que tem aqui. E digo a vocês: existe uma missão comum a todas as pessoas: o amor! Parece simples, e é! Só que as pessoas complicam muito; tanta confusão para uma vida tão curta. Conflitos, principalmente familiares são os primeiros que devem ser resolvidos – se você não amar e aceitar sua família, jamais poderá ter amor interior e muito menos amar alguém. Vamos um pouco além: como pode você dizer que ama alguém e então a pessoa se afasta e você passa odiar? Esse é o ponto. A interpretação de amor para muitos é incorreta, distorcida, não por ignorância, mas por nunca ter experenciado o verdadeiro amor. No falso amor, amor e ódio são lados opostos da moeda. As pessoas se envolvem, têm uma noite maravilhosa e dizem que amam; acordam no dia seguinte, olham para o lado e estão odiando. Ou então duas pessoas namoram, casam e dizem amar, mas vivem de brigas, vivem de intolerância, apego, ciúmes, até inveja,... Como podem chamar isso de amor? Amor é desejar o bem sempre, de dentro do coração, verdadeiro, puro, sem medo, sem ódio. O amor só pode existir dentro de você, nunca fora. Se você diz que ama, é porque ama a si mesmo e deseja compartilhar de seu amor com outras pessoas. Quando você escolhe alguém para viver ao seu lado, amar de verdade não significa que viverão num mar de rosas, muito pelo contrário, haverá desafios, dificuldades, mas então com o amor verdadeiro é que surgem as diferenças: compreensão, respeito, diálogo aberto, aceitando a si mesmo e ao outro, deixando o ego de lado, silêncio, que muitos vezes é o melhor remédio – é um amor incondicional – amar dessa forma significa que não importa se a pessoa está ou não com você, mas você a ama e permite que a pessoa seja feliz com você ou não. 

Voltando à solitude, “ser uma luz para si mesmo”, outro passo é criar a consciência do Eu e do Eu ligado ao todo. Somos seres únicos, com qualidades únicas, mas ligados a uma rede cósmica que interage de forma interdependente, ou seja, cada um de nós faz a diferença no mundo. É fundamental compreender isso, pois uma vez que sentimos essa união com o Universo, a solidão desaparece, porque sabemos que não estamos sós, sabemos que estamos sob a luz divina, estamos ligados a algo maior. Desenvolvendo a consciência de si mesmo, cada vez mais vamos reconhecendo nossos erros, nossos defeitos, nossas qualidades e então você começa a gostar cada vez mais de você, você começa a reconhecer o que gosta e o que não gosta, passa a dar limites às pessoas, aprende a dizer não, aprende a valorizar às pessoas ao seu redor e afastar-se de outras que não lhe fazem bem, tudo isso, surge quando você passa a conhecer a si mesmo. E quanto mais consciente, quanto mais vai se apaixonando por você, perceberá que estar em solitude é maravilhoso. Você passa a gostar de viver sozinho e isso vai crescendo dentro de você até que então você sente algo como uma explosão no peito, uma vontade de gritar para o mundo o quanto você é feliz e esse é um momento único – o surgimento do amor! 

Quando você ama a si mesmo outra qualidade surge: a intensidade. Você passa a perceber que o vazio das pessoas gera uma inércia na vida delas, vivem na mesmice, apegadas às pessoas, à materialidade, julgando isso e àquilo, julgando o que é certo e errado. Quando você tem amor interior você passa a se sentir muito diferente da sociedade, surge até a dúvida de você estar louco ou coisa do tipo, mas posso afirmar a você: não tenha dúvidas do quanto você está certo! Quem disse que temos que ser sérios? Que temos que ter regras para tudo? Você muda, age intensamente e passa a atrair pessoas com a mesma sintonia, você olha para as pessoas e vê o vazio no olhar, mesmo naquelas que estão no bar, bebendo, dizendo se divertir. Desafio você a um teste: se você é jovem, está na fase de sair, “fazer festa”, faça o seguinte: vá a uma boate e passe a noite sem beber álcool. Fique consciente, observe o seu redor, observe a si mesmo, o que sente? Consegue se divertir? Se você só se “larga” com álcool é um sinal que há algo errado – pense nisto. 

Quando você se ama, você confia em si mesmo e confia em algo maior, o Universo. Você passa a entender que a confiança vem de dentro de si, porque você entende que o Universo quer que as coisas sejam do jeito que são. Você passa a se desapegar das pessoas, porque você é tão feliz consigo mesmo que não precisa ser dependente delas e então você passa a escolher pessoas assim para relacionar-se. Você passa a entender que a verdade é mais que falar a verdade a alguém, mas sim, é a experiência de ser você mesmo. 

Quando compreendido o amor que existe dentro de você, então você sente a liberdade em suas mãos, uma sensação de querer compartilhar isto com alguém, mas é tão intenso – muitos se assustam com tamanha intensidade. Quem olha de fora julga, acha errado, acha estranho, mas é o vazio querendo sugar de onde é cheio. Importante salientar isso, porque muitas pessoas além de vazias possuem ódio e rancor dentro de si, e isso me leva a comparar com o fenômeno da simbiose, onde um parasita suga o hospedeiro. E pessoas do bem, pessoas amorosas que sentem poder compartilhar esse sentimento podem ser comparadas à osmose, onde há transferência espontânea, levando ao equilíbrio, de um meio concentrado para um meio menos concentrado. Pessoas que possuem amor dentro de si, relacionam-se com equilíbrio, compartilham, ou seja, transferem naturalmente a confiança, a liberdade, a verdade e o amor. 

A experiência do amor, verdade e intensidade é para poucos, é para quem pode amar a si mesmo e permitir que o outro também seja o que é. Não limite seu companheiro, aceite que cada um é o que é, gosta do que gosta, e é assim que deve ser. Se você deseja um relacionamento verdadeiro, passe a acreditar no amor, desapegue-se, confie, fale e faça o que sente, não se limite pelo ego ou pelo medo, aja intensamente, faça aquilo que faz seu coração vibrar, sem se preocupar com os outros, sendo apenas você mesmo! 



Vinícius Casagrande Fornasier


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ser Estudante



Ao Dia do Estudante


Sempre ouvi desde jovem, a frase: "bons tempos o de estudante". E é engraçado, pois, quando somos estudantes, e eu diria até a faculdade, muitas vezes não vemos ou não valorizamos isso. Parece tudo um tédio, cansativo, "tantos anos estudando",...

Mas passado o tempo de faculdade, entramos no mercado de trabalho, paramos os estudos por um tempo, uns se distanciam, outros casam, mudam de cidade, mudam até de profissão e então vem a tona as memórias.

Que bons tempos quando não tínhamos tantas preocupações, onde víamos diariamente nossos colegas e amigos, onde ouvíamos diariamente nossos educadores, mesmo que alguns chatos...

E é tão bom quando podemos voltar a estudar; fazer outra faculdade, uma especialização, enfim, é sempre uma renovação da alma!

Ser estudante é algo no mínimo maravilhoso...

Hoje eu digo, aos 28 anos de idade, aos meus alunos: aproveitem esse tempo de estudante! 

Aos que já foram meus alunos, um grande abraço! Aos meus atuais alunos: novamente,... aproveitem esse tempo! A construção do conhecimento, dos relacionamentos e amizades começa na escola, uma troca sem fim, que nos engrandece, que nos faz feliz e muitas vezes nem sabemos! Por isso, valorize essa fase da vida! Ser estudante é maravilhoso!

São minhas breves palavras por esse dia especial!

Abraço!!!  

Vinícius Casagrande Fornasier