domingo, 13 de março de 2011

Compreendendo a morte




Hoje falarei sobre um assunto que mexe com muitas pessoas: a morte. A palavra morte é motivo de medo e sofrimento para muitos, quando na verdade deveria ser encarado como algo belo. Não é exagero de minha parte chamar a morte de bela. Deixarei bem claro para vocês como podemos encarar a morte e o desapego de uma forma tranqüila.

Um dos motivos de a morte causar medo e sofrimento nas pessoas é a crença materialista. Significa ser apegado ao mundo físico. É não aceitar e compreender que somos um espírito que possui um corpo aqui neste planeta e que escolhemos fazer uma breve experiência e adquirir aprendizados, assim como cumprir nossa missão e evoluir. A pessoa que não aceita ou não acredita que exista “vida após a morte” (um termo muito incorreto por sinal – pois somos imortais), vive o medo e urgência de morte. O que temos é uma “passagem” pela Terra, onde podemos escolher viver ou não. Que quero dizer com isso? Que muitas pessoas vivem, porém é como se estivesse mortas. Podemos chamar de vida alguém que vive inconscientemente, que prega por ódio, rancor, violência, julgamentos, inveja e medo? Podemos chamar de vida para àqueles que vivem no passado ou nas expectativas futuras? Essas são as pessoas que mais sofrem e tem medo da morte. Elas vêem uma pessoa partindo e choram desesperadamente. Choro? Tristeza? Ou ilusão e drama? Elas vêem uma pessoa partindo e choram por não ter dito que amava ou por se arrepender de algo que não disse ou por sentir pelas palavras duras que disse no passado. As pessoas vivem inconscientemente, deixando um rastro de coisas incompletas para traz – um rastro kármico. Quem olha sente até pena. Irônico, não? O que ocorre é um breve momento de consciência pela “vida morta” que ela tem. Então bate o arrependimento; você lembra como a pessoa era boa ou, lembra-se das coisas que queria ter dito e não disse ou, das desculpas que queria ter pedido e não pediu e agora ela se foi. Um monte de drama que simplesmente não trará a pessoa de volta, não fará você esquecer as lacunas incompletas do passado – de nada adianta, se você vira as costas e continua apontando o dedo. Pessoas com um grande ego são pessoas vazias, dramáticas e sentimentalistas. Existe uma grande diferença entre uma pessoa emotiva para uma sentimentalista. A emotiva sente, a sentimentalista pensa que sente. Ou seja, coração x mente. A mente é apenas o ego – o sentimentalismo é o ego se protegendo; “assim terão pena de mim”. O ego sempre busca proteção – ele faz drama, sentimentalismo, manipula, mente e assim, conquista alguns cegos.

O segundo motivo do medo de morte é justo a crença da urgência de morte. Você morre porque seu cérebro foi programado com a idéia que a morte é inevitável. De acordo com Unmani (1998), o impulso inconsciente de morte nada mais é que o desejo da volta ao útero, que também pode ser fortalecido pelo trauma de nascimento, rejeição dos pais e mais tarde ensinado que a morte é inevitável. Algumas religiões também pregam que somos separados de Deus e que os bons vão poder estar ao lado de Deus e os maus irão para o inferno. Quanta besteira! Primeiro: não tenham duvida, o “inferno” é aqui na Terra (explicarei na sequência). Segundo: não somos separados de Deus – somos todos parte de Deus, está dentro de nós e conectado a uma teia infinita – somos a expressão de Deus. Deus é vida e amor. A semente brotando é Deus, você é Deus. Religioso é quem acredita que Deus está dentro de si mesmo. Estou apenas usando a palavra Deus como sinônimo, já que a maioria faz parte de alguma crença religiosa. Para mim pode ser chamado de Amor, Existência, Divino, Universo, Grande Mistério, entre outros. Se somos Deus, somos criadores. E somos sem dúvida, criadores de nossa realidade – criamos nossas vidas de acordo com nossos pensamentos. A pessoa desconectada de Deus, que vive inconscientemente, com um ego lotado de crenças e limitações, também é criadora. Ela cria miséria, ódio, raiva, medo e sofrimento. A pessoa consciente tem fé, ela compreende que faz parte de um plano maior – do Universo. Ela compreende que fé é acreditar, de forma positiva e incondicional. Ela confia, ela é total – ela vive no presente repleto de amor, verdade e simplicidade.

Outro motivo do medo de morte é a incompreensão do mundo espiritual. Quando a pessoa nasce, ela esquece completamente de sua missão e de onde veio – também chamado de véu do esquecimento na filosofia espírita. Há um propósito para isso. Por que querer viver coisas de outra vida se mal consegue viver desta? É possível sim acessar outras vidas, os diversos planos astrais, portais, planetas e dimensões paralelas. Como? Vivendo consciente. Quando expandimos nossa consciência e nos livramos de todo lixo depositado no nosso subconsciente (crenças, limitações, medos, supressões e repressões) e vivemos presente no aqui e agora, então entramos em contato com a teia universal – sentimos como estamos conectados, como não estamos sós aqui na Terra, como fazemos parte de um plano que escolhemos estar – e então, se é sua missão, seu dom ou, se você é um buscador de si mesmo, você pode acessar tudo isso! A permissão é você quem dá. A única regra é fazer o bem sempre. Se você acredita e confia em si mesmo – mas falo aqui de amorosidade e não de razão, então, pode fazer grandes mudanças pessoais, pode se transformar, se libertar do medo e das correntes que o aprisionam na inconsciência. Já ouviram a frase “Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia”? Ou que “morte é ressurreição”? Certíssimo, porém mal interpretado. Prefiro dizer: “Jesus fez a passagem para o mundo espiritual”. Poderia também usar a palavra “renascer”. Sabe-se muito bem que não é privilégio de Jesus ter aparecido para seus discípulos. Existem inúmeros relatos de pessoas que tem contato com espíritos – isso é muito claro e verdadeiro. Porém, não é possível vê-los com os olhos e nem ouvi-los com nossa audição. É totalmente intuitivo. Alguns então pensam: “tudo baboseira de maluco” ou “isso não existe”. Voltamos ao ponto inicial: Deus está dentro de você? Pois se está, você sabe que o contato com o mundo espiritual é verdadeiro. Se você não acredita nisso, está separado de Deus. “Eu acredito em Deus, mas não acredito em espíritos”. Novamente: “Jesus ressuscitou no terceiro dia”. O que aconteceu de verdade aí? Os discípulos viram o espírito de Jesus e perceberam a imortalidade do espírito. Jesus Cristo também não precisa ser visto como o “garoto da Igreja Católica” e nem como “objeto” para atrair crentes em outras doutrinas limitadoras. Ele é sim um ser iluminado que esteve na Terra para dar seu recado de amor, compaixão e perdão às pessoas. Até os últimos 2011 anos, acho que poucos entenderam – também não entendem porque ele se manifestou aos discípulos. O motivo era justamente provar como o amor é eterno e incondicional, provar a imortalidade. Ele é também não é o único. Existem muitos seres iluminados que viveram entre nós, como Buda, Osho, Sai Baba e outros avatares ainda vivos entre nós – mas são apenas alguns importantes, pois existem milhares de pessoas que fazem o bem neste planeta.

Como é o mundo espiritual e como fazemos a passagem ao se libertar do corpo físico?

No mundo espiritual não existe tempo e espaço, não existe mente e ego – apenas consciência pura. Como aqui no mundo físico, no mundo espiritual temos uma família e a relação é puramente de amor. Não existe medo ou inveja, ou raiva e sofrimento. Por isso é relatado por muito como céu ou paraíso. É chamado assim por parecer utópico ou surreal. As crenças são tão fortes por aqui que as pessoas não acreditam num mundo onde haja amor e consciência infinita. A experiência terrena é que é surreal! No mundo espiritual não existe tempo, por tanto não há horas, não há passado nem futuro. A experiência do tempo acontece no plano físico. Aprender a conviver com o tempo e com a matéria, assim como com a gravidade é algo desafiador e por isso encarnamos sem nenhuma lembrança do mundo espiritual. O planeta Terra seria muito tranqüilo e feliz se os homens não tivessem dado espaço ao ego. A conseqüência do ego é toda a negatividade que vemos ao nosso redor – criada a milhares de anos e que levou a uma constante reencarnação na tentativa de evoluir, perdoar e melhorar. Imagine o seguinte: você como espírito vem com a missão de promover a paz. Na concepção seu pai já o rejeita, enquanto feto alguns familiares julgam sua mãe, você então sente sofrimento, dor, medo e então pensa: que mundo é esse? Aí nasce sente medo, frio, separam você da mãe, obrigam você respirar, a escola e a sociedade o ensinam uma porção de “regras”, “que isso pode aquele outro não”, condenam a sexualidade, condenam a inocência, mas então, que mundo é esse? Aí você se esquece completamente do motivo pelo qual nasceu e continua a viver inconscientemente – promovendo a paz? Não! Então você cresce, não perdoa o pai, briga com a mãe, inveja o vizinho, trai o seu companheiro, rejeita seu filho que está para vir e assim continua o ciclo e então chega o momento da sua morte. Você chama de morte, mas nunca viveu! Você viveu morto e nem percebeu e agora bate o desespero – o medo da morte. Você quando está próximo da morte percebe a vida inconsciente que levou – tanta luta, dureza, confusão e para quê? No que resultou você brigar com os pais, invejar o vizinho e rejeitar seu filho?  Que adiantou você trabalhar como louco, esquecendo de você mesmo e das pessoas ao seu redor, apenas para acumular coisas materiais, dinheiro e bens. Agora você morreu. Vai levar algo talvez? Então no meio de tudo isso existe além da separação da pessoa de Deus, o apego. A pessoa vazia e inconsciente precisa se apegar a algo – é como um vício ou doença. Você fica dependente, quer mais, não aceita perder – e então você morre.

O que ocorre então para quem viveu inconsciente, é que o apego e inconsciência continuam, as crenças continuam o afastamento de Deus continua – esse é o inferno! A pessoa ficará aqui, presa na Terra, apegada ao sofrimento, aos apegos, à materialidade. Ficará vagando, promovendo mais sofrimento às pessoas pela obsessão. Isso não é privilégio de bandido não – há até mesmo os que se dizem “religiosos” vagando por aí – por quê? Porque não acreditam no mundo espiritual. São tão apegados à materialidade que não aceitam que exista uma nova vida após a “morte”.  O ego enraizou tanto na alma da pessoa, que ela ficou cega, ela não enxerga ajuda, não aceita ser ajudada – o orgulho é enorme. Então, talvez com a ajuda de alguma pessoa que tenha um coração puro, encontre uma luz – aí que ocorrem as manifestações de espíritos. Espíritos debilitados, necessitados e desesperados. Quando aceitam ajuda, então são encaminhados com a ajuda de guias espirituais para um lugar comparado a um hospital – só que de almas. Lá ele será conscientizado da ilusão do ego, será curado, libertado da negatividade e encontrará a si mesmo – verá tudo que viveu, o que aprendeu e então uma vez que encontre novamente o amor pura e a plena consciência da alma, é encaminhado para o portal do mundo espiritual, onde encontrará novamente sua família espiritual e viverá em paz e harmonia, podendo novamente, de acordo com o merecimento, intenção e permissão, retornar a encarnar para reaver de sua missão incompleta. O problema é que vários vêm com muitas coisas incompletas e continuam criando novos karmas – assunto para renascimento! 

Mas e quanto às pessoas do bem? Quando uma pessoa vive para promover o bem, a paz, o amor então é muito mais tranqüilo. Uma pessoa que se liberta do medo de morte, compreende a espiritualidade e crê em Deus, não há nada a temer. A morte será encarada como uma passagem, como algo belo, como transformação – não haverá sofrimento, pois há a consciência da sua participação no plano cósmico, ela entende que o apego é desnecessário – ela transcende a mente, se liberta do ego – não há o que temer porque não tem quem o tema – o ego se foi – restou a consciência e inocência. Eu já tive a oportunidade de ver duas pessoas neste estado antes de fazerem a passagem. Uma delas minha avó que morreu neste final de semana. Na última conversa que tive com ela no hospital ela demonstrava total confiança em Deus, ela havia transcendido a mente e ego – o medo e sofrimento haviam desaparecido. Minha avó sempre foi uma pessoa do bem. Ela me ensinou a ouvir, a ter paciência, perdoar e amar. O medo que ela tinha algum tempo antes era de não ter concluído sua missão – trazer a paz. Certamente, através das minhas orações e meditações, consegui provar a ela que continuarei isso por ela. Ela há alguns tempos havia me pedido isso. Era preciso sentir isso e não apenas responder sim. A passagem dela para mim foi um momento de alegria – pois tenho certeza que ela está feliz, tranqüila e já junto a nossa família espiritual. Essas palavras sobre ela foram parte de meu discurso antes de seu enterro.  O padre Ciro, que por sinal fez uma bela missa e que sempre gostou muito de minha avó, esteve presente com ela um dia antes de sua passagem e relatou: “eu estou pronta, só quero sua benção”.

Sem dúvida emociona a qualquer um – mas é importante salientar que devemos buscar estarmos prontos agora! Pare de viver morto, de viver inconscientemente. A morte é apenas uma ilusão. Liberte-se dos medos, renasça e viva abundantemente, viva presente no aqui e agora. Vivemos tão pouco tempo aqui na Terra... Pare de criar confusão. Acabe com as desavenças familiares, aprenda a perdoar, abra seu coração para o amor divino, purifique-se espiritualmente. Quando você compreende e transcende a morte, você se sente imortal, vive intensamente, com confiança, amor e consciência. Valorize as pessoas ao seu lado, aprenda a ouvi-las, dedique parte de seu tempo às pessoas que ama, busque o autoconhecimento, o amor interior e sinta-se vivo e completo.

Vinícius Casagrande Fornasier

Obra Consultada
UNMANI, M. P., NISHKAM, Sw. B.. Rebirthing – O Novo Yoga. Editora Pensamento, 1ª edição. 1998.


Comentário da Carta do Tarô Zen de Osho: o XIII arcano maior do tarô zen é a carta da "morte" para alguns tarôs. É aqui chamada de "transformação". É aceitar que em determinados momentos da vida devemos encarar as mudanças e não precisamos pensar isso como morte literal, mas como a morte do ego. Transformação é ilumina-se e tornar-se consciente, é liberta-se da mente como indica a espada quebrada, romper com os condicionamentos como sugere a corrente rompida, transcender e mutar como sugere a serpente e renascer das cinzas como sugere a Fênix. Transformar-se é reconhecer seu eu e permitir ser inocente e confiante como sugere a flor de lótus e acima de tudo equilibrado como o símbolo do ying e yang sugere. Essa é minha interpretação e é a carta que mais representa a compreensão da morte - vista como transformação pelo Zen. 


Vinícius C. Fornasier - Tarólogo, Terapeuta Holístico e Transpessoal

Um comentário:

  1. Para atingir essa plenitude em relação a morte, é preciso evolução. Talvez sejamos egoístas demais para aceitar o 'não ter' a pessoa querida junto à nós. Feliz de quem atinge esse patamar e encara essa 'mudança' do outro como algo belo. Quando crescer, queo conseguir isso! ;)

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